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Geografia Vivida: Paisagem, Lugar e Mapas Mentais em Pessoas Com Restrição Nos Sentidos

À medida que experenciamos o mundo e constituímos o mundo da vida, formamos imagens mentais carregadas de elementos objetivos e subjetivos – objetos e imaginação. Estas imagens são formadas por meio da percepção do ambiente em que vivemos e da intersubjetividade com a qual construímos nossa relação com o outro e com o mundo.

 

Se por um lado o mapa mental de cada pessoa é único, por outro, há neles algo em comum, que reflete a relação daquele grupo com seu meio. Buscamos, portanto, a essência destas imagens mentais. Este não é um desafio pequeno – uma vez que tentamos “retirar” uma imagem do plano mental a transpô-la para uma representação, podemos encobrir a verdadeira essência. Entretanto, se nos furtamos desta tarefa, perdemos a oportunidade de compreender como pequenos coletivos entendem, se apropriam e lidam com seus ambientes.

 

Na Presente pesquisa pretendemos seguir as seguintes etapas metodológicas: Conhecer as teorias e metodologias existentes acerca da percepção do meio ambiente e dos mapas mentais; Identificar um grupo de pessoas portadoras de deficiência (cegueira parcial, congênita ou adquirida) e procurar conversas e entrevistas que permitam conhecer – ainda que parcialmente – sua percepção da cidade; Mapear os pontos levantados por esta população; Discutir as necessidades apontadas, melhorias e intervenções possíveis.

 

Uma vez entendendo a fenomenologia como um caminho de investigação, é fundamental que os pesquisadores realizem dois processos concomitantes: a redução fenomenológica e a experiência direta de mundo. Ou seja, é igualmente fundamental que os envolvidos no projeto – pesquisadores e bolsistas – possam se colocar em contato com a experiência das pessoas com restrição dos sentidos em uma postura pré-predicativa, livre de concepções a priori. E ainda, a prática do gravador de voz para registro de diário de campo, de modo que pesquisador e bolsista tenham também, registro de sua experiência direta, não mediada, pré-predicativa, sem juízos de valor, para que possa, depois, ser contraposta com as análises científicas possíveis.

 

Este trabalho está em andamento e é atrelado a dois outros projetos de pesquisa "MAPAS MENTAIS DE CEGOS DE DIAMANTINA -MG" "MAPAS MENTAIS DE PESSOAS COM CEGUEIRA PARCIAL EM DIAMANTINA", neste sentido propomos levantar os mapas mentais de pessoas portadoras de deficiência visual parcial.

 

Diamantina como cidade histórica, construída há cerca de três séculos, oferece uma série de dificuldades específicas para o deslocamento destas pessoas, a saber, o calçamento irregular das ruas, falta de calçadas, dificuldades de estacionamento, irregularidade do traçado urbano, moradias e prédios públicos com diversos andares e níveis. Como as paisagens e lugares são afetados por estas restrições? Como a cidade se mostra e é recomposta na percepção destas pessoas? São estas as questões fundamentais que buscamos responder.